Polêmica

O manifesto da Praia da Pipa contra o BOOKING gera polêmica e traz o tema da capacidade de carga à tona.

A pergunta que vem a cabeça é quem é o vilão ou o mocinho? Os hoteleiros são vilões e o BOOKING o mocinho já que permite que usuários consigam tarifas baratas já que os hotéis cobram tarifas exorbitantes… será mesmo? É disso que estamos falando? Há claramente aí um desvio de atenção. Está-se falando de preservação, sustentabilidade e cuidado com um destino repleto de matas, praias fantásticas, golfinhos e tartarugas. Quando há um descontrole no numero de hospedagens sem registro, sem pagamento de impostos, sem as devidas licenças, não há como manter o cuidado.

Foto por Ludmila Abreu

Os cursos de turismo estudam sobre capacidade de carga, quanto um lugar é capaz de suportar sem comprometer a preservação e a qualidade. Abastecimento de água, recolhimento de lixo, alcance dos serviços de telefonia, capacidade da rede elétrica. É preciso cuidar do lugar, realizar um turismo responsável e proporcionar qualidade de serviços. O BOOKING iguala as hospedagens, não diferencia o estabelecimento que tem alvará dos bombeiros, alvará ambiental, alvará sanitário, alvará de funcionamento, paga impostos específicos como o ISS e cumpre inúmeras normas rígidas; com casas e apartamentos que não tem nenhum dessas obrigações. Entram na mesma lista de opções de hospedagens. Será que o vilão aqui são os hotéis que buscam o turismo responsável? Não há nenhuma responsabilidade do BOOKING ou do turista para com o destino?

Nos anos de 2018 e até o mês de julho de 2019, 79 mil reais foi revertido para preservação ambiental no município de Tibau do Sul através dos hotéis e pousadas de Pipa, isso além dos impostos, um valor extra arrecadado através da taxa de incentivo ao turismo (TIT). Da TIT também está saindo o investimento para a contratação da consultoria alemã de turismo DEL, que através de câmaras técnicas e participação tanto da população quanto das iniciativas publica e privadas gera soluções para a melhoria do município, em todos os âmbitos, serão 240 mil reais em 2 anos. O festival de Jazz que aconteceu no ano passado e vai acontecer em agosto também teve uma grande parte financiada pelo movimento de empresários no qual os hoteleiros são maioria. As lixeiras nas ruas, foram compradas por eles, a pintura dos postes, também.

Enfim, há muito mais em jogo do que mocinho e bandido. Há responsabilidade, cuidado, preservação, segurança e futuro.

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